Gostaríamos primeiramente de contextualizá-los em relação a essa filosofia estranha para nós, ocidentais, acostumados ao pensamento filosófico grego.
Cerca de 2.500 AC, no vale do rio Hindus, onde hoje é a o atual Paquistão, desenvolveu-se uma civilização muito avançada, os dravídicos ou
dravidianos, povo totalmente pacífico, de pele e olhos escuros.
Viviam em duas cidades principais, Mohenjo Daro e Harapa, altamente desenvolvidas, com planejamento urbanístico, escrita, organização política e social e arte cerâmica.
Modernas pesquisas encontraram nestes locais as primeiras manifestações de culto à
Shakti, a Mãe Divina, a base do tantrismo.
Foram encontradas também imagens em postura de yoga e em atitude de meditação.
Contam os historiadores ocidentais que esta civilização teria sido destruída por uma invasão
aryana.
Recentes descobertas arqueológicas e lingüísticas, no entanto, estão descartando esta teoria de uma possível invasão de um certo povo aryano vindo da Europa com provas significativas da impossibilidade de ter havido esta invasão.
A descoberta do rio Sarasvati, por exemplo, é uma destas provas.
Este grande rio é louvado muitas vezes no Rig Veda, o que significa que o primeiro Veda já existia antes das acomodações geológicas que causaram a grande seca do rio
Sarasvati, por volta de 3000 AC.
Esta seca motivou o deslocamento dos habitantes das margens do rio Sarasvati para se estabelecerem às margens dos rios Indus e Sutlej (seu afluente).
Provavelmente a civilização Indus ou Harapa foi continuação da época védica.
Está sendo comprovado também que o desaparecimento de Mohenjo Daro e Harapa deveu-se a fenômenos geológicos.
Vedas
A base do conhecimento hindu é a Shruti.
Shruti é uma palavra sânscrita que vem da raiz shru, que significa escutar.
Shruti é aquilo que é escutado, é a tradição oral.
A literatura Shruti é constituída pelos Vedas.
Originado da raiz sânscrita vid, conhecer, saber, Veda é o Conhecimento completo revelado. Segundo a tradição hindu, esse Conhecimento foi revelado no início da Criação aos primeiros mestres, pelo próprio Criador na forma do primeiro mestre,
Dakshinamurti, e transmitido oralmente de mestre a discípulo.
Os Vedas são, portanto, apaurusheya, ou seja, não foram criados por ser humano.
São constituídos por:
Rig Veda
É o mais antigo, composto de hinos, rituais e oferendas às divindades.
Yajur Veda
Contém as fórmulas para fazer os rituais do Rig Veda, dividindo-se em Krishna (negro) e Shukla (branco).
Sama Veda
Contém melodias e cânticos.
Atharva Veda
É composto de fórmulas para rituais em geral.
Cada um dos Vedas é dividido em:
Samhitá
São coleções de mantras.
Brahmana
São explicações das palavras e dos textos.
Aranyaka
São textos para os renunciantes.
Upanishad
São textos que tratam do Absoluto, Brahman, constituindo a parte final dos Vedas.
Para melhor compreensão dos textos védicos, surgiram manuais auxiliares, os vedangas e os
upavedas.
Os vedangas, ou membros dos vedas, são compostos por:
Vyakarana
(Gramática)
Nirukta
(Etimologia)
Shiksha
(Fonética)
Chandas
(Métrica)
Kalpa (regras para aplicação dos rituais)
Jyotisha (Astronomia).
Os upavedas, ou suplemento dos vedas, são compostos por:
Ayurveda (Ciência da Vida, a Medicina),
Dhanurveda (Ciência do manejo do arco),
Gandharvaveda (Ciência da música)
Sthapatya (Arquitetura).
Smrti
Mais tarde surgiu a literatura Smrti (da raiz smr, lembrar), aquilo que é lembrado.
Seu objetivo é preservar o ensinamento védico.
É composto de:
Shastras
São textos sobre leis, política, ética, vida em sociedade, etc.
Puranas
Contém todo o material sobre mitologia hindu.
Itihasas
São os dois grandes épicos, o Ramayana e o Mahabharata.
Agamas
São textos que comentam um aspecto do Criador.
Darshanas
São pontos de vida da Realidade, são os sistemas filosóficos,
Nyaya, Vaisheshika, Sankhya, Yoga, Karma-Mimansa e Vedanta.
(Baseado em obra não publicada sobre Hinduísmo, de Annabella Magalhães)
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