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Se obtemos e saboreamos o néctar dos pés do Senhor, o
charan-amrita, a mente
pode ser conquistada. O que significa que a mente deixará de ter poder sobre nós; seu domínio,
imposto desde a infância, deixará de nos oprimir. A isto se chama
manojaya: vitória sobre a mente.
Mas isto somente é possível com Sua Graça. Sem Graça não podemos saborear o néctar.
No entanto, somente um verdadeiro devoto, um bhakta, pode alcançar
o charan-amrita. Mas, quem ou o que é este devoto? Não é nada mais que a consciência, o sentido de ser, o conhecimento de que
'nós somos', que apareceu inconsciente e espontaneamente em nós.
A consciência é o charan-amrita, o néctar dos pés do Senhor.
Todo o cosmos, em seu movimento vibrante e agitado, está representado pela
consciência, os pés do Senhor, e todo o universo é o corpo da consciência.
Mas, qual é sua relação com todos os seres? Se situa no núcleo de todos os seres como o conhecimento 'Eu Sou', o amor 'a
ser', o charan-amrita. Quem bebe o néctar dos pés do Senhor é um autêntico devoto.
Mora no conhecimento 'Eu Sou'. É divino. Portanto, quando alguém sorve continuamente este néctar sendo testemunha da
consciência ou do sentido de ser, sua própria mente, que impõe e diferencia
pessoas observadas como homens e mulheres, paulatinamente se alija do foco
de atenção, deixando a consciência em sua glória inata.
Mas, como se pode conseguir este estado? Somente se aceitamos plenamente o conhecimento 'Eu Sou' como nós mesmos com
plena convicção e fé, e firmemente cremos na afirmação: 'Eu sou aquele pelo
que sei que Eu Sou.'. Este conhecimento 'Eu sou' é o
charan-amrita. Por que se chama amrita: o néctar? Porque se diz que bebendo o néctar nos convertemos em imortais.
Portanto, um autêntico devoto, ao morar no conhecimento 'Eu Sou', transcende
a experiência da morte e alcança a imortalidade. Mas, enquanto não conquistamos a mente, a experiência da morte é inevitável.
Uma vez que te fundes na consciência, o autêntico estado de Realidade se te
revelará com o conhecimento que emanará de ti intuitivamente, como água
primaveril.
Ele te permitirá discernir entre o real e o irreal e, o que é mais
importante, realizar que és o que 'Eu Sou'.
Que sou por mim mesmo? Que é a vida? Uma vez que estas questões estejam resolvidas intuitivamente e a Realidade
emerge, a mente já não pode predominar. Sem embargo, a mente seguirá funcionando, mas a qualidade de seu
funcionamento será totalmente distinta. Aquele que alcançou este estado, não se vê afetado por nenhum sucesso, posto
que os mexericos da mente deixarão de ter efeito. E quem pode ser esta pessoa?
Evidentemente, não um indivíduo preso na concha de sua mente.
Este alguém é o conhecimento 'Eu Sou' - a consciência.
Se diz que temos de romper os grilhões que nos prendem ao corpo e ao mundo.
Que significa? Tudo o que vemos e percebemos é a nível corporal ou mundano.
Se desenvolvemos um apego aos objetos percebidos, e logo nos identificamos
como nós mesmos com um corpo e dizemos que os objetos nos pertencem.
O apego é a natureza da mente. Mas, se bebemos o charan-amrita
estabilizando-nos na consciência, tudo se
resolverá e alcançaremos a iluminação. Não necessitas ver a ninguém para esclarecer tuas dúvidas.
Cumprindo as tarefas correntes e cantando bhajans, louvando a Deus, etc., a
ti te pareço muito envolvido nessas atividades, mas em realidade, permaneço
separado de mim, ausente de sentido do corpo e da mente, e sou a testemunha
das atividades que Me sucedem. Me pergunto se haveis dado conta!
Muitas pessoas estão relacionadas comigo de alguma ou outra forma.
Ainda que pareça que estou com elas, estou separado delas. Para mim mesmo, realizei plenamente que 'Eu Sou' e agora é totalmente claro
para mim que e como 'Eu Sou'. Mas o que estas pessoas crêem 'que são', somente eles o sabem.
Presumem haver adquirido conhecimento, haver alcançado um status espiritual
mais elevado que outros... etc. Isto é limitado, posto que seguem sendo escravos de suas mentes.
Isto não pode suceder no meu caso. Absorvi totalmente o néctar dos pés do Senhor: a consciência.
No presente, todas as comunicações e funções sucedem por meio deste néctar:
a consciência. Qual é este meio? É o conhecimento 'Eu
Sou'. Está representado pelo Senhor Vishnu, o deus supremo, o qual se apóia feliz
nos anéis da serpente Sheshashayi e portanto, é conhecido como
Sheshashayi-Bhagavan.
É agradável ter estas conversas, mas absorver e realizar sua essência, em
realidade é muito difícil.
Por que? Porque crês firmemente que és o corpo e vives de acordo com ele, enquanto
manténs grandes desejos de que obterás algo bom no mundo e posteriormente,
algo melhor. Estas expectativas se baseiam fundamentalmente na idéia errônea de que és o
corpo. Esta identificação equivocada, sem embargo, se dissolve no néctar dos pés do
Senhor, quando te fundes totalmente na consciência e perdes tua
individualidade.
A dissolução da individualidade é impossível sem devoção ao Mestre -
guru-bhakti - que, expresso com outras palavras, é de novo a consciência, o
guru-charan-amrita. Residir na consciência elimina todo problema passado e futuro, e nos
estabiliza no presente - Aqui e Agora.
A consciência é o sentido do conhecimento 'Eu Sou' e aparece de forma
desconhecida e imprevista. Trata-se da força universal manifesta e, portanto, não pode ser
individualista. Se estende dentro e fora, como o brilho de um diamante.
Dentro de nós vemos um mundo de sonhos e um mundo perceptível fora, sempre
que prevaleça a consciência. A nível corporal, podemos dizer dentro e fora do corpo, mas do ponto de
vista da consciência, onde é dentro e fora? Somente no seio do
conhecimento 'Eu Sou' - a consciência - pode existir um
mundo e também a experiência.
Mantenha-te neste conhecimento 'Eu Sou' e o manancial do conhecimento
emanará em ti, revelando o mistério do universo: de teu corpo e de tua
psiquê, do jogo dos cinco elementos, das três gunas e
prakriti-purusha, assim como de tudo. No processo desta revelação, tua personalidade individualista
confinada no
corpo se expandirá no universo manifesto e se realizará que impregnas e
abarcas todo o cosmos somente como teu 'corpo'. O que se conhece como o 'Puro
Superconhecimnento' - shuddhavijñana.
Não obstante, incluso no estado sublime de shuddhavijñana, a mente rechaça
crer que é uma não-identidade. Mas, quando nos submergimos na consciência, desenvolvemos a firme convicção
de que o conhecimento 'tu és' - o sentido de teu ser - é a fonte real do teu
mundo. Este conhecimento sozinho te faz sentir que 'tu és' e que o mundo é.
Em realidade, este conhecimento manifesto, ao haver ocupado e impregnado o
cosmos, mora em ti como o conhecimento 'tu és'. Mantém-te neste conhecimento.
Não intentes dar-lhe um nome ou uma etiqueta. Vendo agora uma situação muito
sutil, que há em ti que compreende o
conhecimento 'tu és' - ou, do seu ponto de vista, 'Eu sou', sem nome,
etiqueta ou palavra? Submerge-te no núcleo mais interior e seja testemunho do
conhecimento 'Eu
sou' e simplesmente seja. Se trata da 'alegria do ser' - o
svarupananda.
Através de distintos processos e apoios externos, obténs prazer e
felicidade. Alguns gostam de desfrutar de boa comida, outros lhes agrada ver um quadro,
e outros se extasiam com a música... etc. Alguns fatores externos são fundamentais para todos esses desfrutes.
Mas, para morar na 'alegria do ser', não se necessita de ajuda exterior
alguma. Para compreender isto, tomemos o exemplo do sonho profundo.
Uma vez estamos em sonho profundo, não se necessita de ajuda o
tratamento
exterior e desfrutamos de uma felicidade serena. Por que?
Porque, neste estado, a identidade com um corpo como homem ou mulher foi
esquecida totalmente.
Alguns visitantes me perguntam: 'Por favor, mostre-nos o caminho que conduz
à Realidade.' Como poderia fazê-lo? Toda via conduz à
irrealidade. As vias são criações do âmbito do conhecimento.
Portanto, as vias e movimentos não podem nos levar à Realidade, posto que
sua função é envolver dentro das dimensões do conhecimento, enquanto que a
Realidade é anterior. Para dar-te conta disto, deves situar-te na fonte de tua criação, no início
do conhecimento 'Eu sou'. Até que o consigas, te verás preso nas cadeias forjadas por tua mente e te
verás envolvido nas dos demais.
Portanto, repito, estabiliza-te na fonte de teu ser e, então, todas as
cadeias cairão e te liberarás. Transcenderás o tempo, com o resultado que estarás mais além do alcance de
seus tentáculos, e prevalecerás na Eternidade.Este sublime estado somente pode ser logrado bebendo sem pausa o
néctar dos
pés do sagrado guru - o guru-charan-amrita. Se trata de um estado de beatitude extática - o si mesmo submergindo-se
alegremente no Ser. Este êxtase está mais além das palavras; é
também ser consciente em total
serenidade.
A quintessência desta conversa está clara. Tua essência mais importante é o 'conhecimento' de que 'tu és' antes da
emanação da mente. Mantém-te neste 'conhecimento' e medita.
Nada é superior a isto, nem sequer a devoção ao guru - guru-bhakti - ou a
devoção a Deus - Ishvarabhakti."
Fonte:
Shri Nisargadatta Maharaj
Em 'Enseñanzas Definitivas', Ed. Los Libros de La Liebre de Marzo
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