Realização, iluminação, samadhi, nirvana, estas são algumas das muitas palavras criadas para definir a meta da busca espiritual.
Cito a seguir as palavras dos grandes mestres e alguns textos clássicos a respeito deste assunto.
"A visão total é tão clara que o indivíduo não pode mais que rir, e até em aparência ser irreverente, quando vê a fantástica superestrutura de superstição e mistério que se há erigido sobre e em torno à simplicidade elementar que é a Verdade".
(Shri Nisargadatta Maharaj)
"Ser um homem realizado é sentir-se pleno e livre interiormente, consciente e dono de todos os seus recursos pessoais, aberto sem temores nem complexos à vida em todas as suas manifestações e conseguindo portanto o máximo de rendimento com o mínimo de esforço em qualquer de seus atos, que brotam com a espontaneidade e a sensibilidade natural do canto de um pássaro ou da erupção de um vulcão."
(Tantra-Yoga, Antonio Blay)
"Quando, a duras penas, se desfazem as identificações com os outros níveis de consciência, que nos são proporcionados pelos Chakras
Muladhara, Svadhisthana, Manipura, Anahata e Vishuddha, chegamos ao nível do
Ajña, que é o mais profundo.
Neste nível se dão o reconhecimento e a dissolução dos complexos e das projeções e, conseqüentemente, se produz uma expansão do mundo interior que resulta numa nova personalidade muito mais abrangente e consciente da realidade do Ser único e indivisível.
Aqui a pessoa já não está mais fragmentada e não reduzirá sua visão a um pequeno "eu" como nos chakras anteriores. Sua visão do mundo e de si mesmo é maior e mais abrangente. Os pares de opostos, como prazer e sofrimento, serão vivenciados num outro nível de compreensão.
Ele se torna um ser completo em si mesmo, composto de aspectos femininos e masculinos, agora integrados e coesos, permitindo-lhe viver aquilo que ele é, um ser total e
multiabrangente.
Até alcançarem este nível de consciência, os indivíduos se sentem confusos e se envolvem com suas próprias projeções que são inerentes a cada um destes níveis
(Muladhara, Svadhisthana, etc...).
A auto-realização só é possível para aqueles que conseguiram ultrapassar estas dificuldades e passaram a agir de acordo com o que é sentido e vivido como sua própria e verdadeira natureza, o
Ser Total que ele sempre foi e agora se reconhece como sendo.
Esta percepção inicialmente é intelectual, às vezes nebulosa, mas, à medida que evolui o processo de interiorização, ela se fortalece e se afirma e, então, passa a ser
vivencial.
No transcurso deste processo, o ser se converterá em não-ser e o não-ser se transformará em existência espontânea."
(Paulo Murilo)
"O estado no qual a consciência está em concentração e é iluminada pela luz divina - sem qualquer desejo - isto é
samadhi."
(Annapurnopanishad 1.48)
"Através do controle sensorial, controle dos desejos, concentração e ascese, um yogi estará em
samadhi.
No samadhi todo o amor está direcionado para o ser supremo: o indivíduo fica inteiramente ligado e absorvido por Ele e experimenta toda a felicidade Nele.
Através do samadhi o conhecimento contido na palavra-forma (pranava) é revelado ao
yogi."
(Muktikopanishad 2.53)
"O fluxo contínuo de consciência na forma de Brahman, o ser supremo no qual o Eu foi dissolvido, é chamado de samprajnata
samadhi.
Ele é obtido através da prática prolongada de dhyana."
(Muktikopanishad 2.53)
"A mente, operando ao nível sensorial, é a causa-raiz de todo o conhecimento mundano.
Se for dissolvida, não haverá este conhecimento.
Portanto, mantenha a consciência fixa no ser supremo na mais profunda concentração."
(Adhyatmopanishad 26)
"Samadhi é o estado no qual a consciência está somente na natureza do objeto concentrado, sendo calma como a chama de uma lamparina em um local sem vento, e no qual a sensação da ação de concentração e do Eu ('Eu estou concentrando') aos poucos desaparece."
(Annapurnopanishad 1.49-50)
"O estado de consciência no qual não há objetos, paixões e aversões, mas em que existe uma felicidade suprema e um poder superior é
samadhi."
(Mahopanishad 4.62)
"Quando a consciência atinge um estado no qual se torna uniforme (não dual), isto é
samadhi."
(Amritanadopanishad 16)
"Samadhi é a consciência em concentração e o esclarecimento mais profundo torna-se unido à consciência suprema."
(Darshanopanishad 10.1)
"Samadhi é aquilo no qual a consciência do 'Eu' (ekata) emerge em consciência suprema."
(Gandharvatantra, 5.26)
"Assim como um cristal de sal atirado na água dissolve-se nela e torna-se uno com ela, o estado no qual se atinge a unidade da consciência do 'Eu' com a suprema consciência é chamado
samadhi."
(Saubhagyalaksmi Upanishad 2.14)
"Samadhi é o estado no qual a consciência do 'Eu' e a suprema consciência tornam-se uma.
Não há dualidade mas felicidade plena, permanecendo somente a consciência suprema."
(Shandilyopanishad 1.2.1)
"Quando se perde a consciência concentrada, isto é samadhi."
(Mandalabrahmanopanishad 1.1.10)
"Quando a consciência concentrada uniforme é dissolvida pela concentração mais intensa, permanece somente o ser da consciência suprema."
(Annapurnopanishad 1.23)
"Quando a concentração mais profunda no Brahman supremo também desaparece dentro de si mesma, surge o nirvikalpa samadhi - no qual são eliminadas todas as impressões latentes."
(Annapurnopanishad 4.62)
(Upanishads citados por Harish Johari em Chakras, Centros Energéticos de Transformação)
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