Para que possamos compreender a importância da atividade física na promoção da saúde do idoso, é necessário analisarmos a correlação entre atividade física e saúde na população humana em geral. Embora nem todos possam ou queiram destacar-se como modelos de desempenho, existe hoje comprovação científica de que as pessoas ativas estão menos propensas a desenvolver certas doenças crônicas, devido à melhora da aptidão física e disposição mental delas. Estudos populacionais criteriosos permitiram estabelecer relações e causa e efeito entre a atividade física e a menor incidência de algumas doenças, destacando-se a doença coronariana, a hipertensão arterial, diabetes do tipo II, obesidade, osteoporose, neoplasias do cólon, ansiedade e depressão. Alguns estudos associam a pouca atividade física às altas taxas de mortalidade, por todas as causas. Estima-se que 250 mil mortes por ano nos Estados Unidos da América poderiam ser evitadas com atividade física habitual. Ressalte-se que esses benefícios parecem ser comuns a qualquer tipo de atividade física, entendida como contração muscular, geralmente levando ao movimento e sempre com gasto calórico. Assim sendo, são esperados os mesmos efeitos salutares advindos do trabalho braçal, das diversas modalidades esportivas do lazer com atividades físicas e dos programas sistematizados de condicionamento físico.
Qualidades de aptidão como coordenação, velocidade, força, flexibilidade, potência, resistência e parâmetros de condição aeróbica são estimuladas de modo diferente pelas diversas formas de atividade física, mas esses parâmetros não se relacionam especificamente à qualidade ou à magnitude dos efeitos salutares obtidos. Dessa maneira, as atividades físicas distinguem-se pelo tipo e grau de aptidão estimulada, mas não pelos efeitos na saúde das pessoas. O único parâmetro que se mantém proporcional aos efeitos salutares é o gasto calórico das atividades, embora a relação não seja constante. Em outras palavras, quanto mais calorias forem gastas em atividades físicas habituais, maiores serão os benefícios para a saúde. As diferenças mais expressivas na incidência de doenças ocorrem entre os sedentários e os pouco ativos. Entre estes e as pessoas mais ativas, a diferença não é grande. O mínimo de atividade física necessário para reduzir a incidência de doenças é de 200 Kcal/dia em média. Assim sendo, atividades físicas necessárias para reduzir a incidência de períodos mais curtos e menos freqüentes, enquanto que atividades menos intensas precisam ser mais prolongadas e ou mais freqüentes.
José Maria Santarém
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