Certas falhas genéticas no processo de divisão das células poderiam ser as responsáveis pela degeneração de tecidos que levam à velhice.
Segundo estudo divulgado hoje pela revista Science, um grupo de especialistas do Instituto de Pesquisas Scripps, em La Jolla, California, após exame de 6 mil genes determinou que pelo menos 61 sofrem mudanças drásticas entre as idades de nove a 90 anos.
O co-autor do estudo, doutor Richard A. Lerner, diz acreditar que são estas mudanças que marcam o organismo com as características da velhice, como as rugas, cabelos brancos e enfraquecimento de ossos e músculos.
"Há genes que servem de controle de qualidade em uma célula", disse Lerner. "Estes genes decidem, depois que uma célula se divide, se esta célula está ou não em condições de sobreviver".
Se os genes inspetores cumprem bem seu papel, qualquer erro genético é detectado e suprimido. Mas, se falham, os erros no ADN dos genes se perpetuam, pois as células deficientes criam novas células com as mesmas falhas ou com falhas ainda piores.
Essa cadeia de tropeços genéticos pode eventualmente causar a perda de funções que poderiam incluir alguns sintomas da velhice.
Por isso, segundo Lerner, a "má administração destes genes inspetores é a responsabilidade da velhice". Ele disse ainda que o estudo poderia levar à descoberta de maneiras de controlar o processo de envelhecimento.
No entanto, por agora, o estudo só mostra uma nova maneira de entender porque as pessoas sofrem do que ele qualifica de enfermidade universal, a velhice.
"Este é um estudo sumamente interessante", disse o doutor Leonard Guarente, especialista em gerontologia do MIT (Massachussetts Institute of Technology), "mas não é um ri to. Só nos dá uma pista sobre as causas da velhice e uma sugestão para estudar esse tema com maior profundidade".
Guarente afirmou que o estudo só utilizou gerações de células de laboratório e que são necessárias novas provas para demonstrar se o fenômeno ocorre em pessoas. Até que isso seja feito, não terá sido demonstrado.
No estudo do Instituto Scripps, Lerner e seus colegas usaram um sistema de análise genética que avalia a atividade de genes em células de idades distintas.
Foram usadas células de tecido doados por pacientes cujas idades oscilavam entre nove e 90 anos e de pacientes que sofrem de velhice acelerada e morte prematura.
As células foram separadas em quatro grupos, jovens normais, adultos normais, anciões normais, e os que sofrem de velhice precoce. Lerner afirmou que foi encontrado um padrão constante de falhas em determinados genes quando comparados às células dos jovens, adultos e anciões.
As falhas nas células dos pacientes que sofriam de velhice precoce, são comparáveis às encontradas nos anciões.
Fonte: Universo Online
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