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Matérias
Avulsas de Terceira Idade
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Envelhecimento
com Saúde
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Um famoso professor de cardiologia de Boston, Estados Unidos
da América, passava visita em uma enfermaria do Hospital
Universitário, junto com uma equipe de médicos, residentes
e enfermeiros. Ao lado do leito de um paciente ouviu a história,
feita cuidadosamente pelo residente, de um homem idoso que
apresentava além de insuficiência cardíaca outras
enfermidades que o deixara muito debilitado. O estudante
preparara o caso cuidadosamente, inclusive o nome dos 16
medicamentos que o paciente recebia. O professor após ouvir
o relato trocou algumas palavras com o paciente sobre
pescaria na sua região de origem e comentou que ao invés
de 16 medicamentos que recebia o paciente estaria melhor com
somente três. Ao sair da enfermaria um estudante questionou
o professor quais seriam estes três medicamentos. O
professor respondeu que qualquer daqueles que estavam sendo
dados, mas em numero de três....
O experiente professor estava passando aos seus alunos um
importante conceito: freqüentemente a debilidade da pessoa
de idade se deve ao excesso de medicamentos. Por outro lado
há uma tendência a se medicar excessiva e
desnecessariamente os idosos. Os efeitos colaterais de
medicamentos, as suas interações entre si e suas complicações,
as interações com álcool e o estado nutritivo são muito
importantes quando estamos falando de organismo do idoso,
que é muito mais sensível.
O paciente idoso que apresenta necessidade de receber vários
medicamentos deve ser visto com muito cuidado. Deve se ter
em mente sempre que a velhice não é doença! Deve se
evitar a utilização de "medicamentos que combatem a
velhice". Os medicamentos utilizados devem ser sempre
específicos para uma determinada doença e tomados por
tempo determinado e aqueles de uso prolongado devem ser
muito bem controlados. Deve se, sempre que possível,
procurar métodos não medicamentosos de tratamento. Um bom
exemplo disto é a abordagem da depressão que deve ser
sempre tratada inicialmente com mudanças de hábitos,
terapia ocupacional, exercícios e psicoterapia, antes de se
usar química. A medicação antidepressiva deve ser
utilizada nos casos mais severos.
A situação antológica do professor de cardiologia diante
das 16 medicações pode ser comparada a do ortopedista
diante de uma fratura de colo de fêmur no pronto socorro de
um hospital que acha que a reparação cirúrgica é o
principal objetivo terapêutico.
São situações críticas e muito importantes mas nenhuma
delas é suficiente quando temos uma visão mais ampla, que
envolve cuidados clínicos, prevenção e promoção de saúde,
aspectos psicológicos e socioeconômicos.
A abordagem do paciente deve ser sempre medida pela
qualidade de vida e manutenção de independência. Desta
maneira conseguimos atingir a saúde na Terceira Idade.
Wiilliam B. Ershler, Stefan Gravesnstein
National Institute On Aging Baltimore, Maryland USA.
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