Terceira Idade
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Infecções

As infecções são provocados por uma grande variedade de organismos que vão desde os submicroscópicos vírus até os vermes tipo lombrigas. Varia desde o simples resfriado até a peste bubônica ou a raiva.

O organismo infectante ao atingir o nosso organismo inicialmente passa a se multiplicar para sobreviver. O organismo infectado passa a apresentar sintomas e freqüentemente passa a infectar outras pessoas. A pessoa infectada pode morrer da infecção, recuperar-se espontaneamente ou sob o efeito de medicação específica. A resistência de nosso organismo à infecção é dada por nossa imunidade que varia de pessoa para pessoa.

Algumas infecções tem longo período de latência permanecendo no organismo sem mostrar sintomas por vários anos. Outras infecções podem desenvolver tumores sendo que a origem viral de certos cânceres hoje é bem conhecida.

Os sintomas de infecção na terceira idade nem sempre são muito claros e podem ser mal interpretados e confundidos com outras doenças. Uma infecção pode se manifestar através de fraqueza, confusão mental, perda de apetite, dificuldade para andar, etc. A febre pode não estar presente. O estado febril não se caracteriza somente pelo aumento da temperatura do corpo, mas sim por alterações do ritmo do coração, da freqüência respiratória, etc.

A febre pode ser o sinal de uma infecção como a pneumonia, como também pode indicar uma reação alérgica.

A febre na terceira idade sempre deve ser muito bem avaliada pois em geral não está muito elevada em situações patológicas que no jovem são caracterizadas por febre alta, como por exemplo a pneumonia.

As infecções podem ser devidas a bactérias, vírus, parasitas e fungos. Os parasitas provocam as parasitoses que são denominadas infestações. 

As infecções bacterianas são uma das principais causas de morte na terceira idade, com destaque para a pneumonia. As viroses em geral provocam infecções menos graves, sendo responsável pelo resfriado. As micoses também são freqüentes mas não são moléstias graves na terceira idade.

A infecção é mais freqüente no idoso que no jovem devido a menor imunidade que ocorre com o avançar da idade.

A hospitalização aumenta muito a probabilidade de se contrair infecções. A queda localizada das defesas, como por exemplo, nas lesões da pele por eczema servem de porta de entrada de bactérias. 
Pessoas submetidas a hemodiálise para tratamento da insuficiência renal estão mais sujeitas a infecções devido as inúmeras punções nas veias e artérias com agulhas. A utilização de sondas urinárias é um fator de infecção.

Uma infecção mal tratada, como uma sinusite, pode gerar graves infecções no idoso. O alcoolismo é também um fator que facilita a instalação e o desenvolvimento de doenças infecciosas. A utilização continuada de corticóide produz um estado de menor resposta imunológica a processos infeciosos, diminui a capacidade de cicatrização e facilita o desenvolvimento de Infecções.

As infecções mais freqüentes na terceira idade são as do trato urinário, das vias aéreas superiores , do pulmão e da pele.

A principal complicação da infecção é a sua disseminação pelo organismo, com comprometimento de vários órgãos, sendo então denominada septicemia.

A septicemia pode levar a um quadro de falência de diversos órgãos e morte.

Quando hospitalizado o paciente idoso deve, se possível, movimentar-se, evitar sondagem urinária e diminuir a sua permanência no leito . O tempo de hospitalização deve ser sempre o mínimo necessário.

A vacinação é um processo caracterizado por administrar substâncias capazes de aumentar a resistência a infecções. Este processo é denominado imunização. Sempre foi dada muita ênfase à vacinação infantil, e a vacinação do adulto pouco considerada, sendo ainda desconhecida por muitos. 

Adultos devem receber vacinas contra difteria e tétano. Se o adulto recebeu o esquema básico de vacinação da infância (vacina tríplice: difteria, tétano e coqueluche) deverá receber um vacinação de reforço cada 10 anos. São recomendadas ainda as vacinas contra rubéola (principalmente mulheres jovens), contra a Hepatite B, contra a pneumonia e contra a gripe. A resposta do idoso à imunização é menor do que aquela que ocorre entre as crianças mas o seu uso na terceira idade é considerado muito importante. Atualmente recomenda-se vacinação contra a pneumonia (cada 5 anos) e gripe (anual) após os 60 anos de idade. A vacinação contra a difteria e tétano (vacina "dT") deve ser feita cada 10 anos a partir da adolescência. 

Nas feridas infectadas está recomendado o uso da imunoglobulina tetânica, que provoca aumento na resistência do organismo..


As Bactérias
A bactéria é um tipo de micróbio muito característico que existe na natureza junto a plantas e animais e que eventualmente pode provocar Infecções.

Na terceira idade as infecções bacterianas atingem preferencialmente as vias urinárias e as vias aéreas. A bactéria denominada estreptococo é uma causa de amigdalite e de faringite tanto em crianças como em idosos. O contágio se dá de pessoa para pessoa e se acentua em ambientes fechados. 

O tratamento das infecções bacterianas é baseado em antibióticos tipo penicilina e seus derivados. O antibiótico é substância utilizada para a cura e controle de muitas doenças infecciosas. A sua grande importância está no controle de doenças bacterianas. Têm pouca utilidade nas doenças provocados por vírus (viroses), por parasitas (parasitoses) e fungos (micoses). Não são substâncias inócuas e devem ser utilizadas com muito cuidado. Na terceira idade ocorre uma tendência a ocorrer várias modificações quando à distribuição de medicamentos no organismo. Tais modificações dependem do estado de hidratação da pessoa, da sua função renal e das funções do sistema digestivo (estômago e fígado) principalmente. O conhecimento de utilização simultânea de outras substâncias é fundamental, pois com freqüência pode ocorrer interações entre medicamentos com efeitos negativos. 
A utilização de antibióticos deve ser feita com muito critério. A escolha do antibiótico deve ser feita, sempre que possível, em função da identificação da bactéria (antibiograma). A sua dosagem deve ser eficiente sem ser tóxica. Nada pior para o organismo que a administração de antibiótico em doses ineficientes, pois geram resistência por parte da bactéria sem eliminá-la. A duração do tratamento deve ser sempre muito bem indicada. O antibiótico deve ser utilizado na dose correta e por tempo preciso. 


Os Vírus 
O vírus é uma partícula de ácido nucleico (DNA ou RNA) envolvida por uma capa de proteína. (Ver Vírus)

A maioria das viroses não tem tratamento específico, havendo poucos medicamentos antivirais. Os antiviróticos são substâncias utilizadas no combate às viroses, isto é, nas Infecções provocadas por vírus. Têm a capacidade de penetrar nas células aonde o vírus está habitando e inibir a sua ação. O antivirótico em geral tem ação muito limitada devido as característica da infecção viral, principalmente devido a grande capacidade de multiplicação do vírus. Os melhores resultados da terapia com substâncias antivirais ocorre na infecção herpética (Ver herpes), principalmente a que atinge os olhos e a principal droga anti-virótica é o Aciclovir ("Zovirax"). Os antivirais são utilizados com resultados precários nas gripes, pneumonias a vírus, e na AIDS.

As principais viroses que atingem o aparelho respiratório na terceira idade são o resfriado comum, a gripe e as pneumonias. O resfriado é uma infecção a vírus que produz sintomas localizados principalmente no nariz, com coriza e febre baixa. Ao contrário da Gripe, não provoca sintomas generalizados como dores musculares e mal estar. A gripe por sua vez é uma infecção provocada por vírus que se caracteriza por inflamação nasal com coriza, tosse, febre, dores musculares e mal estar geral. Provoca uma queda de imunidade facilitando o desenvolvimento de outras infecções, como a pneumonia bacteriana por exemplo. 

A infecção por herpes também ocorre na terceira idade e se manifesta desde um processo benigno circunscrito à pele até uma encefalite. A infecção herpética tem como característica fundamental atingir o nervo. Existem três tipos de vírus herpético sendo que o que atinge mais freqüentemente o idoso é o Herpes Zoster. O Herpes Zoster produz uma infecção muito freqüente na terceira idade. 
Atinge o nervo e a pele, provocando inicialmente lesões cutâneas (pequenas vesículas e vermelhidão) e depois dores intensas. Em geral localiza-se no tórax, mas pode ocorrer na face, no olho e no ouvido. Raramente pode complicar acometendo o sistema nervoso central na forma de encefalite. A infecção por Herpes Zoster também ocorre em pessoas enfraquecidas, com sistema imunológico deprimido (câncer, por exemplo). O tratamento é feito com substâncias antivirais (Ver antiviróticos) de uso local ou tópico e também através de injeções. Outros vírus herpéticos podem provocar infecções graves no sistema nervoso, sendo a mais comum a encefalite. Outra infecção herpética é a genital, que atinge os órgãos sexuais, mais comum em jovens.

A população idosa até há bem pouco tempo representava parcela insignificante nas estatísticas da Aids ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. As ultimas estatísticas norte-americanas mostram aumento significativo no número de portadores do vírus da Aids em pessoas com mais de 65 anos. A explicação deste fenômeno é controvertida mas sem dúvida se deve em grande parte à desinformação quanto à doença e também quanto aos métodos de prevenção. O pensamento bastante freqüente de que "a doença nunca irá me atingir" sem dúvida é um fator relevante.


Os Fungos 
Os fungos constituem um grupo de organismos que se caracterizam por apresentar uma mistura de características de plantas e também de animais inferiores não estando relacionados com nenhum dos dois. Produzem no homem as micoses. Algumas doenças pulmonares raras são provocadas por fungos (como a Blastomicose e a Histoplasmose) e o diagnóstico é feito por testes realizados na pele e no sangue. Vários tipos de micose comprometem somente a pele . A micose também surge nas situações em que há diminuição da imunidade como na AIDS e em doenças que produzem comprometimento de todo o organismo. O diabetes descontrolado pode favorecer o aparecimento de micoses. As medicações usadas para o tratamento das micoses são muito limitados, sendo a anfotericina a principal droga.

O uso indiscriminado e abusivo de antibióticos favorece o aparecimento de uma micose denominada candidíase (denominado "sapinho" quando localizada na boca). Esta micose pode ser superficial atingindo, os dedos, unhas, a boca, esôfago, vagina, bexiga, etc e também pode se disseminar atingindo o fígado e o coração, por exemplo.


Os Parasitas 
As parasitoses são infecções por microrganismos parasitas, como os protozoários e os helmintos. 
As principais parasitoses são a malária, a toxoplasmose, e as parasitoses intestinais (amebíase, giardíase, estrongiloidíase e a teníase). A malária é uma infecção própria dos trópicos, devida a vários tipos de parasitas sendo os mais freqüentes o Plasmodium vivax e o Plasmodium falciparum. A malária deve ser pensada em toda pessoa com febre e que esteve nos trópicos ou que tenha recebido transfusão de sangue. O parasita é inoculado no organismo pelo mosquito. Ocorre em qualquer idade e na terceira idade pode se desenvolver de maneira grave. Febre alta, calafrios e intenso mal estar é a manifestação clássica. O tratamento é feito com uma substância denominada cloroquina e deve ser iniciado precocemente.

A cisticercose é uma parasitose muito comum em nosso meio podendo atingir o sistema nervoso. A tripanossomíase ocorre em certas regiões brasileiras, sendo causadora de graves disfunções cardíacas e intestinais, como a doença de Chagas. A esquistossomíase também é uma parasitose freqüente em nosso país atingindo de preferência o sistema digestivo e fígado, sendo comum na Bahia.

A parasitose é doença comum em regiões subdesenvolvidas e também entre pessoas com baixa resistência. 

São doenças muito comuns, que ocorrem em qualquer idade e que apresentam arsenal terapêutico pouco desenvolvido.


Extraído do livro "Ficar Jovem Leva Tempo....Um Guia Para Viver Melhor" 
Editora Saraiva, de autoria de João Roberto D. Azevedo
 
 

As dicas deste portal não dispensam a consulta a um especialista ou acompanhamento de um médico.  Queremos apenas ser fonte de orientação e estudo.

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