Não é de hoje que se vem discutindo a criação de uma política nacional que venha regulamentar e garantir os direitos dos idosos. Além de um isolamento afetivo, a situação da maioria dos idosos, no Brasil, é de exclusão financeira e social, produto do descaso da sociedade e da falta de uma política governamental efetiva.
Com certeza não se trata de uma tarefa fácil. Há bem pouco tempo, a expectativa de vida da população brasileira não passava dos sessenta e cinco anos, de modo que os conhecimentos médicos, psicológicos e sociais a respeito dessa fase da vida são poucos ou, pelo menos, muito recentes. Mas esse não é o principal problema.
A verdade é que fala-se muito e age-se muito pouco. Todos concordam quanto à necessidade de investimentos em uma maior qualidade de vida para a terceira idade. Entretanto, enquanto se questiona quem é o verdadeiro responsável, em um interminável jogo de empurra, quase nada é feito na prática.
O que precisa ficar entendido é que a velhice é apenas mais uma fase da vida. O idoso não deve ser encarado como um ser humano debilitado e incapaz. Ele pode ter uma vida útil e ativa, perfeitamente integrado ao meio social. Existem muitas funções importantes para as quais a sabedoria e a experiência acumulada com os anos podem ser de grande valor.
A terceira idade não pode ser descartada. Ela tem um papel indispensável e poderá estar perfeitamente apta a cumpri-lo com apenas alguns cuidados simples.
Em primeiro lugar, precisa de acesso fácil e rápido a uma assistência médica especializada e de qualidade, sem que, para isso, necessite de planos de saúde caríssimos, que não cobrem todas as especialidades e tratamentos.
Além disso, são urgentes algumas adaptações e modificações arquitetônicas que possibilitem uma movimentação mais fácil e segura.
Isso sem falar em moradia e alimentação adequadas, que são direito de qualquer cidadão, mas ainda não fazem parte da realidade de uma parcela expressiva da terceira idade brasileira, condenada a viver com uma aposentadoria muito abaixo do mínimo necessário para se viver dignamente.
Está na hora de mudar. E parte da responsabilidade deve ser dos próprios idosos que precisam, o mais rápido possível, tomar consciência de sua força e importância e buscar seus direitos.
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