Os critérios que fazem o preço do seguro de um automóvel
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Para quem procura um bom motivo para casar, aí vai: solteiros pagam mais caro pelo seguro de um automóvel. Segundo a experiência das seguradoras, pessoas que constituem família têm mais juízo e se envolvem em menos acidentes graves.
A lista de critérios para calcular o valor de um contrato de seguro (a apólice) é longa e tem efeitos surpreendentes. A cobertura anual de um Palio ELX 1.3, modelo 2001, custa R$ 1.442 a um pai de família formado e com 44 anos. Um estudante solteiro de 19 anos paga, pela apólice do mesmo carro, R$ 2.453.
Não é preciso mudar de vida para economizar na apólice. Escolher um carro pouco visado pelos ladrões é menos radical que pedir alguém em casamento e surte o mesmo efeito — para contratos de seguro, fique bem entendido.
Popular entre os gatunos, o Gol 1.6 2001 custa o mesmo que um Clio 1.0 do mesmo ano (R$ 21.200), mas tem seguro anual R$ 540 mais caro.
— É mais fácil passar um Gol roubado adiante. Seu valor no desmanche também é maior, pois as peças do Gol têm mais demanda que as do Clio — explica Natanael de Castro, diretor comercial da seguradora Brasilveículos.
As seguradoras premiam motoristas que expõem menos o carro a roubo. A instalação de alarmes, bloqueadores e rastreadores reduz o valor da mensalidade em até 25%. Às vezes, no entanto, esse desconto não compensa.
— Não faz sentido pôr um rastreador com GPS, que custa R$ 2 mil, num Gol — diz Castro. — Já num automóvel que custa mais de R$ 100 mil, este investimento retorna no primeiro ano.
Uma entrevista permite à seguradora avaliar o risco que está assumindo com cada cliente. As questões giram em torno de quem usa o carro e como.
Para seguradoras, ninguém
dirige melhor que as mulheres de 40
Mulheres casadas, com 40 anos e nível superior recorrem menos ao seguro e, por isso, pagam as menores mensalidades. O grupo de risco, que paga o dobro (ou até o triplo), é formado por jovens solteiros que usam o automóvel no trabalho e estacionam na rua.
Mentir no questionário para economizar no seguro pode levar o consumidor a perder o direito à indenização.
— O contrato perde a validade se uma das partes tiver agido com má-fé — diz Cláudio Lima, técnico de assuntos financeiros do Procon-SP. — Mas a seguradora não tem o direito sequer de atrasar o pagamento da apólice sem conseguir provar que o cliente mentiu.
Para evitar dores de cabeça na hora de receber a indenização, Castro recomenda a atualização constante do cadastro.
A tabela de orçamentos das seguradoras é útil mesmo para quem não pretende contratar um seguro. Isso porque o cálculo da apólice leva em conta, além do perfil do condutor, a cobiça dos ladrões e o custo de reparo de cada automóvel. A apólice é, portanto, uma estimativa das despesas que o motorista terá com cada modelo de automóvel, seja com o conserto depois de um acidente, seja pela probabilidade de ter o carro roubado.
Algumas das principais seguradoras do país mantêm o Cesvi Brasil, um centro de testes que avalia os gastos necessários para consertar um carro acidentado. O órgão pesquisa o preço das peças mais sujeitas a batidas, como faróis, lataria e pára-choques. O Cesvi ainda joga carros contra uma parede para avaliar o comportamento de cada modelo numa batida.
— Detalhes pequenos podem fazer o conserto de um carro mudar bastante de preço. Na colisão, o farol do Focus quebrava umas pequenas presilhas. Elas não eram vendidas separadamente, então era preciso comprar uma peça inteira. Com os estudos da Cesvi, a Ford pôs uma presilha à parte, muito mais barata — diz Fernando Reinhardt, gerente de seguro da Itaú.
Consumidor paga pela
incerteza do dólar
O custo de reparo é decisivo para justificar o alto preço do seguro de carros importados. A apólice da caminhonete francesa Xsara Break 1.6 16v, modelo 2001, custa R$ 4.280, quase o dobro do que é cobrado pelo seguro do similar nacional Toyota Corolla 1.8 16v (R$ 2.491). Situação parecida ocorre com o espanhol Seat Ibiza, que usa o mesmo motor 1.0 16v do Gol mas tem seguro bem mais caro: R$ 2.590, contra R$ 1.136 do Gol.
— No caso dos carros importados, as corretoras ainda têm que considerar, além dos riscos do motorista e do carro, o risco econômico — diz Marcelo Varella, presidente do Cesvi. — As peças cotadas em dólar podem dobrar de preço num ano, mas a seguradora não pode reajustar a apólice.
A situação piora com o passar dos anos. O carro vai se desvalorizando, mas as peças não caem de preço, tornando a apólice proporcionalmente mais cara e inviável.
| Apólice
de Automóveis 1.0 do Mercado |
| Modelo
(ano 2001) |
Valor
de Mercado |
Seguro
(% do valor do carro) |
| Uno
Miller Smart |
R$12.380 |
R$913 (7.37%) |
| Palio
Young |
R$13.088 |
R$1.187 (9.06%) |
| Celta |
R$13.908 |
R$1.046 (7.52%) |
| Corsa
Wind |
R$14.059 |
R$1.051 (7.47%) |
| Fiesta
GL |
R$14.100 |
R$1.216 (8.62%) |
| Ka
GL |
R$15.255 |
R$1.098 (7.19%) |
| Clio
RL |
R$16.743 |
R$1.190 (7.10%) |
| Palio
Fire ELX |
R$18.451 |
R$1.526 (8.27%) |
| Gol
Plus (Geração 3) |
R$20.196 |
R$1.136 (5.62%) |
| Peugeot
206 Soleil |
R$21.161 |
R$1.361 (6.43%) |
| Seat
Ibiza |
R$22.684 |
R$2.590 (11.41%) |
| Fonte:
Brasilveículos.
Preços minimos disponíveis na tabela da seguradora |
Fonte: O Globo- Carroetc -
artigo de Marcelo Moura - 31/10/2001
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