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Nutrição

Alimentos Orgânicos e Naturais

Atualizado em
02/03/2001

 
O que são, na verdade, os alimentos naturais e orgânicos? O conceito de natural, apesar de parecer estar na moda hoje em dia, tende a ter vários significados diferentes de acordo com o grupo em questão. 

Para o fabricante, natural é tudo aquilo que possa valorizar seu produto, ainda que este contenha em sua fórmula vários elementos químicos e artificiais. É o caso, por exemplo, dos sucos de fruta concentrados que por serem feitos com a própria fruta, em vez dos pós artificiais, se anunciam como naturais, apesar de utilizarem conservantes. 

Para o consumidor fica difícil saber ao certo o que seria realmente natural. Frases do tipo: Contém aroma natural de laranja, em embalagens de refrescos totalmente artificiais induzem ao erro e aumentam a confusão. A coisa se complica ainda mais a partir do momento em que, além da dificuldade de se estabelecer uma definição clara para fins legislativos, alguns aditivos químicos, apenas por terem sido desenvolvidos pela biotecnologia, já são legalmente considerados naturais. 

Em meio a tudo isso, algumas tentativas já vem sendo realizadas na tentativa de regulamentar esse conceito. No Reino Unido, por exemplo, o Comitê Assessor de Alimentos, do Ministério da Agricultura decretou que só podem ser considerados naturais os alimentos simples, sem misturas. Além disso, estes devem ter sido modificados apenas por processos simples, indispensáveis para que se tornem aptos para o consumo. Por indispensáveis se entende congelamento, esterilização, fermentação, entre outros. Processos como a oxidação e o descoramento escapariam do conceito de natural. Mesmo assim, a discussão parece longe de chegar ao fim. 

O mesmo ocorre com os alimentos orgânicos. O conceito, ainda relativamente novo no Brasil, já começa a causar dúvidas. O que seriam na realidade alimentos orgânicos? Se formos analisar a palavra dentro de uma visão científica, qualquer alimento de origem animal, ou vegetal poderia ser considerado orgânico, já que sempre deriva de um outro organismo vivo que contém o elemento carbono em sua estrutura química. E, quimicamente falando, qualquer elemento composto de carbono é um elemento orgânico. Seria mais correto portanto, utilizar o termo orgânico sempre atrelado a outra palavra ou expressão como, por exemplo, organicamente cultivado ou organicamente produzido.

O principal em toda essa história é que o que liga o consumidor ao "alimento natural" é um laço muito mais simbólico do que concreto. Mais do que produtos, o que se vende nos supermercados hoje em dia, com todo esse apelo natural, é uma idéia, um estilo de vida. O que o consumidor vem buscando, já a algum tempo, é se enquadrar no padrão light amplamente divulgado como ideal nos dias de hoje. 

Segundo o professor Luiz Eduardo de Carvalho, da faculdade de farmácia da UFRJ, o que acontece é que buscamos produtos que traduzam um determinado tipo de comportamento. " Materializamos o produto em vez de controlar a conduta. Em vez de adotarmos uma relação natural com a comida e com o ato de comer, em vez de autoconstruirmos essa renaturalidade optamos por tentar adquiri-la no mercado, transformada em produtos. Em vez de adotarmos uma dieta natural, acentuamos, dia a dia, uma conduta dietética afastada da natureza, mas prtensamente composta de ítens ditos naturais. Em vez de comer em horários convencionais, regularmente, com tranqüilidade, em volumes apropriados, optamos por comer apressados, de pé, sem mastigar direito, em meio a fumantes, estressadamente."

Fonte: Notas para uma conferência no II Ciclo de Debates Sobre Alimentos Arte e Cultura. Faculdade de Farmácia -UFRJ ( out/92), do professor Luiz Eduardo de Carvalho. 
 


As dicas deste portal não dispensam a consulta a um especialista ou acompanhamento de um médico.  Queremos apenas ser fonte de orientação e estudo.
 

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