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Em 1928 foi descoberto pelo médico Alexander Fleming o primeiro antibiótico da história, a penicilina. Nessa época, as infecções causadas por bactérias eram ainda incuráveis, levando os doentes à morte em quase todos os casos, por todo o mundo.
Com o uso da penicilina, este quadro mudou e até meados dos anos 50 a novidade já havia conseguido salvar milhões de vidas. Entretanto, deste momento em diante, começou-se a notar uma baixa expressiva no poder de atuação do medicamento, que muitas vezes era ministrado de maneira errada ou em casos desnecessários. Isso acabou por permitir um aumento da resistência das bactérias, que, através de mutações, deram origem a superbactérias capazes de resistir aos antibióticos, o que torna o combate às doenças desleal.
Na década de 70, foi lançada a cefalexina que era 100% eficaz no tratamento de infecções urinárias e hoje atua positivamente em apenas 30% dos casos.
A amplicilina foi outro antibiótico muito utilizado no combate a infecções graves como as urinárias e as respiratórias. Em meados da década de 60, a amplicilina era utilizada na maioria dos casos de combate a enterococos e pneumococos. Hoje ela já não é receitada pela maioria dos médicos.
A grande dificuldade do combate às bactérias fica por conta da sua rápida capacidade de reprodução. Em apenas 20 minutos, uma única bactéria pode se reproduzir gerando 300.000 novos organismos.
De acordo com o infectologista do hospital paulista Albert Enstain, Dr.Artur
Timermen, uma pequena modificação nessa descendência pode gerar uma nova forma mais resistente.
É importante lembrar que o maior problema em relação aos antibióticos é a má administração e o uso indiscriminado destes medicamentos. Os antibióticos, que deveriam ser a última fronteira no combate às doenças, vem sendo normalmente indicado logo nos primeiros sintomas.
Outro fator preocupante no Brasil é a automedicação. É relativamente fácil comprar medicamentos sem receita na maioria das farmácias ou reutilizá-los em casos julgados similares. É cada vez mais comum escutarmos frases do tipo:
" O Marcelinho tá com febre e com a garganta doendo. Dá prá ele o antibiótico que o doutor passou para o Carlinhos que é muito bom."
"Tá gripado há cinco dias! Toma um antibiótico que passa..."
Os antibióticos devem ainda ser ministrados em um período pré determinado pelo médico e não devem ser interrompidos antes do último dia, já que isso pode causar o fortalecimento dos microorganismos.
Ainda de acordo com o doutor Artur Timerman, acaba de chegar ao Brasil uma substâncias que será utilizada para a produção de uma série de novos medicamentos. A linezolida promete um combate eficaz a quase todos os tipos de micróbios. Entretanto, se for mal utilizada pode, daqui a alguns anos, se tornar mais um fracasso no combate às superbactérias.
Referência: Revista Veja, ano 34, edição 1683.
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