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Depois de uma semana inteira de trabalho é chegada a hora do lazer. A festa começa, já na sexta-feira, depois do expediente e dura até o final do domingo, com direito a praia, chopp com os amigos, cinema e festas que invariavelmente duram até de manhã.
Depois de tantas atividades, a segunda-feira chega com ar de ressaca. E o que se vê, em empresas, escritórios e salas de aula, é uma multidão sonolenta e mais cansada do que ao fim da semana que passou.
Produto do rítmo acelerado da vida moderna, o excesso de lazer está produzindo um novo fenômeno urbano, que os especialistas já chamam de estresse de fim de semana. As atividades ligadas à diversão e ao prazer tornaram-se uma obrigação. Elas são encaradas como a única forma de compensar as exaustivas rotinas de trabalho recheadas de penosas obrigações.
O problema é que nas lotadas agendas de hoje em dia não existe tempo disponível para o ócio. Atividades como ler, conversar com amigos, assistir ao pôr-do-sol ou simplesmente pensar parecem estar totalmente fora de cogitação quando o assunto é tempo livre.
As opiniões se dividem quanto aos motivos desta tendência. Enquanto sociólogos acreditam tratar-se do reflexo de uma sociedade agitada demais, que transforma até mesmo diversão em competição, com verdadeiras maratonas nos finais de semana, os psicólogos tem uma outra opinião.
Para eles, o excesso de atividades reflete, antes de qualquer coisa, um certo medo das próprias emoções. Quem faz questão de não parar em casa nos momentos de tempo livre está evitando, na verdade, olhar para dentro de si mesmo. É preferível ocupar-se o tempo todo do que parar para refletir e realizar uma análise interior.
O que ambos os especialistas concordam é que o tempo para o ócio está fazendo falta. Além de impedir uma análise pessoal e prejudicar o descanso, o excesso de lazer acaba com o processo criativo que depende exclusivamente de momentos tranqüilos de reflexão e contemplação. E a criatividade já está sendo considerada como a característica principal e fundamental das sociedades pós-industriais que começam a surgir.
Vale a pena reservar um tempinho para ficar à toa.
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