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Medicamentos

O Perigo do Uso de Esteróides Anabolizantes
 
Apesar do alerta de médicos, o consumo de esteróides anabolizantes não é raro entre atletas e freqüentadores de academias. A venda desses produtos sem receita é proibida, mas o produto é comprado facilmente. Entre os efeitos nocivos dessas substâncias estão doenças cardíacas, que levam a morte súbita, e mau funcionamento do fígado e dos rins. 

A responsabilidade pelo consumo de anabolizantes não é só de atletas e alunos de academias. 
Alguns médicos receitam essas drogas para fins estéticos ou visando ao aumento do rendimento de atletas. Nas academias, tem aumentado muito o índice de mulheres, com mais de 30 anos, que usam esses produtos. 

No Brasil, as substâncias mais vendidas são o Winstrol, o Primobolan e o Anavar, com pregos entre R$ 150 e R$ 300. As fórmulas em ampolas custam entre R$ 5 e R$ 10 cada. Estados Unidos, os anabolizantes são considerados drogas e o comércio ilegal esta sendo investigado pelo FBI. A grande procura por anabolizantes pode ser explicada, em parte, pela valorização do culto ao corpo. 

Os anabolizantes só devem ser indicados em casos de deficiência nutricional grave, que ocorre em pessoas com AIDS, anemia crônica, má absorção das proteínas, câncer com metástase, deficiência de hormônios androgênicos nos homens e em alguns casos de osteoporose. Além do risco de morte súbita e do mau funcionamento do fígado e dos rins, os anabolizantes prejudicam o crescimento, causam hipertensão, doenças hormonais, alteração da libido e de humor. Autópsias em atletas na faixa dos 20 anos mostraram cardiomiopatia hipertrófica e fibrose no miocardio. 

O primeiro e mais evidente efeito, reversível a médio prazo, é o aumento do colesterol ruim (LDL) e da taxa de triglicerídeos. A longo prazo, pode ocorrer diminuição do colesterol bom (HDL). Esteróides contribuem ainda para o desenvolvimento de câncer de próstata, testículos e fígado ou lesões irreversíveis no fígado. Em alguns casos é necessário o transplante. Nas mulheres, observam-se alterações do ciclo menstrual, hipertrofia irreversível do clitóris, mudanças na voz e nascimento de pêlos. 

Os efeitos colaterais dos anabolizantes também devem ser observados. Uma das substâncias mais perigosas é o Clembuterol, cuja indicação nos Estados Unidos se limita ao tratamento de pacientes asmáticos. No Brasil, o produto vem sendo usado por atletas e praticantes de musculação. Como a venda é ilegal no país, o Clembuterol só é conseguido através de contrabando ou em algumas farmácias de manipulação. Ele aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca, causa falta de ar e tremores. Em casos graves, leva ao coma e pode matar. 

Recentemente, um paciente de 35 anos ficou no CTI por uma semana, devido aos efeitos colaterais causados pela ingestão de uma única cápsula de Clembuterol. O paciente disse que o produto tinha sido recomendado por um professor de musculação. O mesmo aconteceu com uma mulher de 40 anos, que ficou 15 dias em coma. 

Além de inúmeros problemas de saúde, os esteróides interrompem abruptamente o crescimento e podem levar um pré-adolescente a consumir outros tipos de drogas no futuro. As epífises ósseas, responsáveis pelo crescimento, fecham precocemente, diminuindo a estatura final. 

Uma pesquisa recente, realizada com estudantes do estado de Massachusetts (EUA), revelou que 3% das crianças com mais de 10 anos usam ilegalmente esteróides para aumentar a massa muscular e melhorar a performance em competições esportivas. E 38% dessas crianças foram influenciadas por amigos a comprar os anabolizantes. Estudos da Universidade de Oklahoma revelaram que um milhão de pessoas já usavam anabolizantes há mais de cinco anos. 

Outra pesquisa, do Hospital Pediátrico de New Orleans, mostra que o consumo entre os jovens aumentou 300% nos últimos cinco anos. 

Fonte:
Jornal O Globo de 18/10/98
Artigo de Hélio Ventura e João Michel El-Khouri,
médicos especialistas em medicina do exercício
e cardiologia, respectivamente.
  


As dicas deste portal não dispensam a consulta a um especialista ou acompanhamento de um médico.  Queremos apenas ser fonte de orientação e estudo.
 

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