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Osteoporose - Ajuda Contra

Atualizado em
05/03/2001

 
Se você Pensa que todas as mulheres com osteoporose são idosas e encurvadas, conheça Judy Black. Alta, magra e escultural, Black é uma entusiástica esportista que parece dez anos mais jovem do que seus 49 anos. Mas aos 45 soube que tinha essa doença que enfraquece os ossos e pode causar fraturas dolorosas.

Black, vice-presidente sênior da Ticketmaster em Washington D.C., não tinha sintomas de osteoporose. A maioria das pessoas não os apresenta - até sofrerem dolorosa ruptura de um osso, como a fratura de um quadril ou uma fratura por compressão na coluna vertebral. O que levou Black a fazer exame foi a recomendação de um médico para que realizasse um teste de densidade óssea.

A osteoporose é a perda de tecido ósseo e o subseqüente dano a estrutura óssea. Ossos que antes eram suportes resistentes para o corpo podem se reduzir a um frágil tecido rendado passível de ser estilhaçado se você pegar um objeto pesado, cair ou simplesmente sofrer uma torção.

Oitenta por cento das pessoas afetadas pela doença são mulheres. Uma vez que têm ossos maiores, maior massa muscular e tendem a ser mais ativos, os homens são menos suscetíveis.

Embora muitas pessoas pensem que os ossos são sólidos e impenetráveis, na verdade eles se constituem de tecido vivo, contentemente renovado. Os ossos crescem da infância a puberdade, quando ha muito mais acréscimo do que perda de tecido.

Durante a adolescência, os ossos tornam-se mais fortes pelo acréscimo de massa e aumento de densidade. Então, em mulheres com mais de 30 anos o processo começa a mudar, havendo mais perda óssea do que acréscimo. Isso pode levar à osteoporose no caso daquelas que não tomarem providências para manter ossos fortes.

Ainda que a doença na maioria das vezes ocorra em mulheres caucasianas e asiáticas de baixa estatura, de estrutura óssea pequena ou muito magras, outras podem estar em perigo sem saber. Mas há uma boa notícia: a osteoporose pode ser evitada.

A seguir, os maiores fatores de risco para a doença em mulheres mais jovens, antes da menopausa - e as medidas de proteção.

Estilo de Vida Sedentário
Mulheres que não se movimentam no emprego e as que tem estilo de vida sedentário são as mais expostas a osteoporose. O doutor Joseph M. Lane, professor de cirurgia ortopédica na Cornell University, estudou a correlação entre empregos sem atividade física e o aumento do risco de osteoporose examinando enfermeiras e secretarias. "As enfermeiras - que andam, empurram, puxam, fazem tudo - têm maior massa óssea do que as secretárias, que ficam em suas escrivaninhas", disse ele. "Se seu emprego é sedentário, você precisa realmente exercitar-se para manter seus ossos.

A massa óssea atinge seu pico entre os 20 e os 30 anos de idade - período em que se devem adotar as primeiras medidas para proteger a saúde. Se você trabalha por trás de uma escrivaninha, estacione a uma certa distancia e ande ate o escritório.

Use uma parte de sua hora de almoço para caminhar ou correr. Ou pratique moderadamente levantamento de peso: o esforço de sustentar pesos ajuda a aumentar a massa óssea.

Tratamento Contra o Enfraquecimento dos Ossos
A ex-assistente social Edith Prentiss começou o tratamento com esteróides contra asma aos 32 anos. Quando tinha 39 anos, sofreu fraturas por tenção nas costelas e no pé, alem de fratura por compressão no tórax. Por volta dos 43 anos, estava cerca de 7,5 centímetros mais baixa devido a outras fraturas. Um teste de densidade óssea mostrou que sua massa óssea era 25% menor do que o esperado em mulheres de sua idade.

Prentiss estava tomando um remédio conhecido como glicocorticóide, considerado quase milagroso no tratamento de graves crises de asma, artrite reumatóide, infecção intestinal e alguns tipos de doenças pulmonares. Mas o uso continuado de glicocorticóides e de drogas a base de cortisona pode interromper as funções de produção óssea do corpo, deixando os ossos frágeis e quebradiços. Homens e mulheres são igualmente suscetíveis. Com calcitonina, hormônio peptídico que diminui a perda óssea, o estado de Prentiss melhorou.

Se seu médico prescrever um glicocorticóide ou um remédio a base de cortisona, você deve fazer testes de densidade óssea freqüentemente. Se tiver perda óssea, o médico pode receitar-lhe calcitonina ou bifosfonato (medicamento não-hormonal), além de suplementos de cálcio e vitamina D (necessária para a absorção do cálcio).

Entre os medicamentos indicados para mulheres após a menopausa incluem-se o raloxifeno ou o alendronato, bifosfonato recentemente aprovado para ajudar a manter e restaurar a massa óssea.

Hábitos Alimentares Inadequados
Os especialistas que mulheres consumam diariamente de 1.300 miligramas a 1.500 miligramas de cálcio - mineral essencial para a saúde dos ossos. Mas a maioria das pessoas ingere somente de 400 miligramas a 500 miligramas por dia - quantidade existente em uma xícara e meia de leite ou em uma xícara de iogurte natural.

As melhores fontes de cálcio são laticínios como leite, iogurte e queijo. Laticínios desnatados ou com baixo teor de gordura contêm um pouco menos de cálcio do que os integrais.

Outras boas fontes desse mineral essencial são variedades de couve, tofu processado com sulfato de cálcio e sardinhas com espinha. Sucos e alimentos enriquecidos com cálcio são também benéficos. É melhor obter cálcio dos alimentos, mas se não for suficiente, pode-se considerar a possibilidade de tomar suplementos de cálcio. Especialistas advertem que não se deve passar de 2 mil miligramas por dia.

Pesquisas têm ligado o hábito de fumar e o consumo de álcool ao aumento do risco de osteoporose. Se você fuma, pare. Se você bebe, diminua a quantidade de álcool que ingere.

Menopausa Precosse
Estatísticas mostram que em 1994 cerca de 139 mil mulheres americanas com idades entre 15 e 44 anos tiveram ambos os ovários extraídos. Essas mulheres ficaram com deficiência de estrogênio - hormônio produzido pelos ovários, que diminui a fragilidade óssea. Para proteger os ossos (assim como o coração) geralmente se adota a terapia de reposição estrogênica. "Ficou provado que isso reduz o risco de fraturas", diz a doutora Ethel Siris, diretora do programa de osteoporose no Columbia-Presbyterian Medical Center de Nova York. "No entanto, é preciso manter a terapia. Logo que se interrompe a ingestão de estrogênio, começa-se a perder seus benefícios." 

A importância do estrogênio é ilustrada pelo que aconteceu com a enfermeira Dorothy Blum. Aos 28 anos, ela sofreu uma histerectomia (remoção do útero) total. Não pode continuar a tomar estrogênio via oral porque surgiram coágulos sangüíneos em seus pulmões. Nos últimos 12 anos, sofreu seis fraturas e agora usa colete para proteger o corpo. Um teste de densidade óssea mostrou que seus ossos eram equivalentes aos de mulheres de 75 anos.

Blum adotou nova terapia de estrogênio em forma de placa, que conseguiu tolerar, e também dieta balanceada de alto teor de cálcio, injeções de calcitonina, fisioterapia e um programa de exercícios. Foi obrigada a abandonar o emprego numa empresa de serviços médicos e atualmente esta incapacitada para o trabalho. "Toda a minha vida mudou", disse ela.

Estudo realizado pela Universidade da Califórnia em San Diego mostra que mesmo as mulheres de 60 anos se beneficiam com a terapia de estrogênio. Os pesquisadores descobriram que as mulheres de densidade óssea mais elevada são as que começam a tomar estrogênio na menopausa e continuam em média durante uns 20 anos. Surpreendentemente, densidade óssea similar foi constatada em pessoas que começaram a tomar estrogênio depois dos 60 anos e continuaram a ingeri-lo por um período médio de nove anos.

Alguns estudos relacionam o estrogênio ao aumento da incidência de câncer de mama e de útero. Se você tem ocorrências de câncer na família, discuta os riscos e benefícios com seu médico.

Magreza Exagerada
Dietas extremadas, distúrbios da alimentação e excesso de exercícios podem interromper o ciclo menstrual da mulher, suspendendo a produção do estrogênio protetor dos ossos. Em Rochester, Minnesota, uma estudante de 21 anos tratou de fraturas nos ossos do pé com o doutor Mehrsheed Sinaki no Departamento de Fisioterapia e Reabilitação da Mayo Medical School. Com histórico de anorexia nervosa, a jovem deixou de menstruar e conseqüentemente não produzia estrogênio suficiente para manter a resistência óssea.

Aos 21 anos, seu corpo ainda era capaz de produzir tecido ósseo. Com alimentação apropriada, dosagem adequada de cálcio, exercícios moderados e o retorno da menstruação, seus ossos se recuperaram e ela ficou menos exposta ao risco de novas fraturas.

"Quando o peso do corpo baixa de determinado nível, o cérebro para de enviar sinais para os ovários produzirem hormônios", explica a doutora Diane Meier, que vem tratando de jovens mulheres com osteoporose na Mount Sinai School of Medicine de Nova York. Mensagem para as mulheres jovens: o segredo é uma dieta melhor e exercícios apropriados.

História Familiar
Estudos indicam que sua herança genética pode torna-la suscetível a osteoporose. Esse era o caso da vice-presidente da Ticketmaster, Judy Black. Depois que seu estado foi detectado por um teste densidade óssea, a mãe e a irmã mais nova aparentemente sadia se submeteram também ao teste e descobrira que eram portadoras da doença.

Constatado o problema, elas puderam tomar providencias para manter e até aumentar a resistência óssea. As filhas de Black, atualmente na faixa dos 20 anos, passaram a ingerir mais cálcio e a fazer exercícios. Tornando mais forte a estrutura óssea agora, elas podem reduzir a ameaça de osteoporose mais tarde.

Se você já atingiu a menopausa acha que e candidata a osteoporose faça o teste de densidade óssea. Leva poucos minutos. Consulte o médico e, se o teste revelar algum problema, peça-lhe um programa de dieta exercícios e medicação.

Se não esta exposta ao risco de osteoporose no momento, lembre-se de que todas as pessoas sofrem alguma perda óssea depois dos 35 anos. Nunca é muito cedo para começar - nem tarde demais. 


Fonte: Revista Seleções agosto de 1998
 

As dicas deste portal não dispensam a consulta a um especialista ou acompanhamento de um médico.  Queremos apenas ser fonte de orientação e estudo.
 

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