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Obstetrícia

Doenças transmissíveis maternas

Atualizado em
24/08/2001


Tuberculose
  O bacilo de Koch (da tuberculose) não é excretado pelo leite materno 
  A transmissão faz-se usualmente pela inalação de gotículas das vias aéreas superiores de um 
     indivíduo com infecção tuberculosa. A porta de entrada é quase sempre o aparelho respiratório. 
  Formas clínicas maternas: 
      Tuberculose extra-pulmonar: não contra-indica a amamentação 
      Tuberculose pulmonar: 

Conduta para mãe que pode contagiar (não tratada ou com tratamento iniciado à menos de três semanas após o nascimento da criança): 

  não suspender a amamentação 
  diminuir o contato íntimo mãe-filho 
  amamentar com máscara ou similar 
  lavar, cuidadosamente, as mãos 
  rastrear visitas, especificamente os domiciliares 
  administrar, ao RN hidrazida (INH) na dose de 10 mg/kg/dia uma vez ao dia, durante três meses 
  depois dos três meses de hidrazida (INH), realizar um teste tuberculínico (PPD), adoptando as 
     seguintes condutas: 

     Teste Positivo (criança reactica e possivelmente infectada): 
           rastrear doença: 
           se necessário tratar de acordo com as normas da Direcção Geral de Saúde. 
           se não houver infecção activa, manter a quimioprofilaxia até o 6º mês 

     Teste Negativo: 
        Proceder a vacinação com BCG e suspender a hidrazia (INH).

Durante todas as etapas continuar com a amamentação.

Conduta para mãe não-contagiante ou sem bacilos: (com tratamento iniciado à mais de três semanas após o nascimento da criança): 


  não suspender a amamentação 
  proceder à vacinação com BCG intradérmico
     Observações: 
       Na impossibilidade de seguimento do R.N., proceder a variação com BCG e administrar 
        hidrazida (INH) por um período de seis meses 
       Nos casos em que o diagnóstico de tubérculos materna materno foi identificado logo após o 
        início da amamentação, o lactente deve ser considerado potencialmente infectado e rastreado. 
        Não suspender a amamentação 
      A administração de drogas tuberculosticas à mãe não contra-indica a amamentação. 

Hepatite B 
  Apesar do vírus de hepatite B ser excretado pelo leite materno, os dados disponíveis até o 
    momento, não contra-indicam a amamentação 
  A transmissão perinatal pode ocorrer quando a mãe é HBs Ag Positivo (especialmente as HB e 
    Ag Positivo) através do sangue e secreções. 

Conduta: 

  lavar bem o RN retirando todos os vestígios de sangue e/ou secreções maternas 
  indicar a amamentação mesmo que haja sangue nas fissuras mamarias 
  administrar nas primeiras 12 horas (no máximo até 24 horas) IGBH (Imunoglobulina Específica 
    contra Hepatite B) 0,5 ml/dose única, via intramuscular ou 1,5 ml de Imunoglobina Atendard (I.M.) 
  administrar, até o 7º dia de vida, a 1º dose de vacina contra hepatite B na dose de 0,5 via 
    intramuscular.

Observações

  caso aplicada concomitantemente com a IGHB (Imuniglobulina Específica contra Hepatite B) 
    utilizar seringas, agulhas e locais diferentes de aplicação 
  o local ideal para aplicação I.M. das injeções na RN é a face anterolateral na coxa 
    RNs com peso inferior a 2000 gr., devem ter a sua vacinação adiada até atingirem esse peso; se 
    esse período se prolongar por mais de três meses, uma segunda dose de imunoglobulina deve 
    ser aplicada nas mesmas dosagens já referidas. 
  Com um mês de vida: efectuar a 2º dose da vacina contra Hepatite B 
  Com seis meses de vida: efectuar a 3º dose da vacina contra Hepatite B 
  Durante todas estas etapas continuar a amamentação. 

Hepatite B diagnosticada durante o aleitamento em crianças com menos de um ano de idade 

Conduta: 

  manter a amamentação 
  administrar Imunoglobulina Específica contra Hepatite B na dose de -0,04 ml/kg - I.M. ou 
  administrar gamaglobulina "Standard" na dose de 0,12 ml/kg - I.M. 
  testar a criança para Hbs Ag. Se negativo, vaciná-la e seguir as medidas profilática para o caso. 

Hepatite diagnosticada durante a amamentação 

Conduta: 

  manter a amamentação; 
  aplicar Imunoglubolina Standard, na dose de 0,02 - o,o4 ml/Kg dose única IM o mais 
    precocemente possível. 

Citomegalo vírus

Conduta: 
  manter a amamentação; 
  a transmissão pós-natal pode ocorrer pelo leite materno mas não costuma provocar doença, pois 
    em simultâneo com os vírus, passam também anticorpos maternos passivos que defendem a 
    criança.

Mastite ou infecção da mama 

  contra-indica a amamentação 
  especial atenção deve ser dada ao diagnóstico diferencial entre ingurgitamento mamário, 
    obstrução dos ductos e mastite; nenhuma dessas situações clínicas contra-indica a 
    amamentação. 
  O uso de antibióticos não contra-indica a amamentação, exceção as tetraciclinas e derivados que 
    não devem ser prescritos. 
  Os analgésicos e antiinflamatórios não contra-indicam a amamentação com excepção da 
    indometacina e da fenilbutazona que não deverão ser prescritos. 

Malária ou paludismo 
(doença praticamente existente só em países tropicais)

  não contra-indica a amamentação 
  o modo de transmissão mais comum é pela picada do mosquito anopheles. Menos comumente, 
     transfusão de sangue e agulhas contaminadas 
  o uso de drogas antimaláricas, não contra-indica a amamentação. 

Herpes simples 

  não contra-indica a amamentação, exceto quando as vesículas herpéticas estiverem localizadas 
    na mama 
  cuidados adicionais devem ser tomados com vesículas na face, dedos e mamas. 

Conduta: 
  cobrir as lesões 
  lavagem rigorosa das mães antes de manipular as crianças 
  uso de luvas ou proteção para as mãos (lesão dos dedos) 
  evitar contato íntimo mãe-filho (beijos) até que as lesões estejam cicatrizadas. 

Varicela
  mães com varicela com início até cinco dias antes do parto produzem e transmitem anticorpos. 
    O recém nascido deverá ter uma forma leve de varicela e a separação mãe-filho está 
    contra-indicada: amamentar a criança 
  mães com varicela com cinco dias antes do parto ou até dois dias depois: a criança poderá 
    desenvolver uma forma grave de varicela estando indicado o isolamento do RN e da mãe durante 
    a fase de contágio materna (até à fase de crosta); durante este período o leite materno deverá ser 
    aspirado e dado ao RN 
  administrar, ao RN o mais precocemente possível: Imunoglobulina Standard = 2 ml/dose única/IM 
    (de valor discutível) ou VZIG ((Imunoglobulina Específica contra Varicela) 125 unid./dose/I.M. 
  O RN deverá ficar em observação até o 21º dia de vida. Se nesse período desenvolver a doença, 
     iniciar a administração de aciclovir 
  mães com varicela a partir do 3º dia do pós-parto: o RN poderá desenvolver uma forma leve de 
     doença e não está indicado nem o isolamento nem a profilaxia: amamentar a criança. 


Fonte: www.terravista.pt - Doenças transmissíveis maternas. 

As dicas deste portal não dispensam a consulta a um especialista ou acompanhamento de um médico.  Queremos apenas ser fonte de orientação e estudo.
 

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