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Nutrição

Informações Úteis - Cafeína pode provocar mudanças no cérebro

atualizado em
23/08/2001

 
Tomar café, chá ou um refrigerante que contém cafeína não serve apenas para manter alguém acordado. Essa substância de origem vegetal pode também causar mudanças físicas no próprio cérebro da pessoa. Mas não há motivo para preocupação. Ao contrário, pode até ser que a cafeína ajude a memória a longo prazo.

Dois pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência, de Rehovot, Israel, descobriram o efeito da cafeína em pequenas estruturas das células nervosas do cérebro chamadas espinhas dendríticas. Os dendrites são os prolongamentos ramificados da célula nervosa que recebem impulsos e os transmitem para o corpo celular.

Estudos com células em laboratório
Neurônios da região cerebral chamada hipocampo, ligada ao aprendizado e à memória mostraram que a cafeína fez com que elas liberassem maior quantidade de cálcio. Em seguida, notou-se um aumento no tamanho das espinhas dendríticas existentes e mesmo a formação de novas.

A pesquisa foi feita por Menahem Segal e seu colega E. Korkotian, do Departamento de Neurobiologia do Weizmann, e está publicada na última edição da revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Os cientistas já faz algum tempo associavam eventuais mudanças na forma dessas estruturas cerebrais com variações nos impulsos nervosos relacionados com a memória de longo prazo. Mas faltavam evidências de experimentos.

"Os mecanismos moleculares, assim como a relevância funcional das mudanças nas dimensões das espinhas, não são conhecidas", afirmam Segal e Korkotian. Eles já haviam indicado que as espinhas dendríticas continham depósitos de cálcio e que a cafeína poderia causar sua liberação. Faltava examinar a hipótese de que esse cálcio poderia levar a mudanças na forma das estruturas.

Graças a novas técnicas desenvolvidas pelos pesquisadores, foi agora possível acompanhar durante várias horas os dendrites e detectar mudanças depois de exposição à cafeína. Os cientistas descobriram que a cafeína causou, em média, um aumento de 33% no tamanho das espinhas dendríticas. Notou-se também que, quanto mais alta a densidade de espinhas, e quanto mais finos os dendrites, mais provável que a cafeína causasse o alongamento e o crescimento de novas espinhas.

Segal e Korkotian lembram também que o efeito da cafeína foi bem diverso daquele de outra substância química, o glutamato, que cria um fluxo de cálcio bem maior, até a saturação, resultando no efeito oposto às espinhas encolhem de tamanho.

Pesquisas básicas como essa ajudam os cientistas a descobrir como funciona em detalhe o mecanismo de transmissão de impulsos nervosos no cérebro e como a memória é armazenada. A longo prazo, podem ajudar a desenvolver medicamentos para problemas neurológicos ligados à memória e ao aprendizado. 


Fonte: Folha de São Paulo

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