Não recomendo a ingestão de alho, ou de seus preparados, como agentes
hipolipemiantes. Desde que foram evidenciadas as relações entre fatores nutrientes e níveis séricos de colesterol, vários "modismos" têm surgido na tentativa de diminuir a colesterolemia e, conseqüentemente, o risco de aterosclerose. Alguns deles têm merecido atenção não só pela popularidade, mas também por ter sido alvo de pesquisas experimentais e clínicas, como, por exemplo, alho, berinjela, aveia e lecitina de soja, para citar os mais comuns.
Dois recentes estudos em humanos utilizando alho (JAMA 1998;279:1900-2; Arch Intern Med 1998;158:1189-94), ambos controlados, duplo-cegos e
randomizados, demonstraram que as preparações utilizadas (nas formas de pó e óleo) não influenciaram os parâmetros lipoprotéicos avaliados, incluindo a absorção e a síntese de colesterol.
Alguns estudos experimentais demonstram resultados favoráveis ao alho como agente antiaterosclerótico; entretanto, é necessário cautela ao transpor resultados obtidos em coelhos para a espécie humana. Além disso, meta-análises baseadas em estudos clínicos não-controlados e com amostras pequenas podem levar a conclusões distorcidas.
A introdução de preparados comerciais, contendo determinado fator nutriente, deve merecer cautela e bom senso, pois eventuais reduções da colesterolemia podem ser secundárias a outras modificações do estilo de vida e falsamente atribuídas à "terapia alimentar", além de possíveis erros laboratoriais durante o seguimento do paciente.
Fonte:
Jornal da SOCESP
Volume II - No 10
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