Biscoitos, iogurtes, cereais e bebidas achocolatadas enriquecidas com vitaminas e minerais pesam no orçamento doméstico e deixam os pais confusos. Vale a pena acrescentar estes produtos na lista de compras e garantir uma dose extra de nutrientes para as crianças? Pediatras e nutricionistas não fazem restrições a esses alimentos, mas lembram que eles não substituem refeições. Caso contrário, a criança corre o risco de sofrer anemia.
A pediatra Suzana de Souza Queiroz, do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Pediatria, diz que as deficiências nutricionais no Brasil são grandes e este problema não é restrito à população menos favorecida. Ela defende a fortificação dos alimentos, como medida governamental, para evitar o número crescente de casos de anemia e deficiência de vitamina A.
A fortificação dos alimentos é uma medida preventiva utilizada em diversos países. Produtos como
farinha, açúcar e leite podem ser acrescidos de ferro e vitamina A. Outra medida é a adição de
iodo no sal. Mas o alimento enriquecido não substitui uma refeição completa - alerta.
Ela explica que as crianças devem comer, sempre que possível, alimentos ricos em ferro, como carnes, vísceras e vegetais escuros, como brócolis e couve. Essas folhas devem ser consumidas, de preferência, com um suco de fruta cítrica, porque a vitamina C facilita a absorção do ferro.
A anemia nem sempre é percebida. A criança fica apática e inapetente. Com o tempo, pode ter
problemas como déficit de atenção e atraso no desenvolvimento - diz a médica.
O leite, o iogurte e outros alimentos enriquecidos devem ser apenas um complemento nas refeições. Segundo a nutricionista Maria Carolina Liberato Vasconcellos, da Creche Acalanto, a criança deve fazer seis refeições diárias, em intervalos de três horas. E os pais precisam ler com bastante atenção os rótulos.
Muitos pais acreditam que comprando um alimento enriquecido podem substituir, por exemplo, o
café ou o jantar. Se a criança adquirir o hábito de só comer biscoitinhos e iogurtes vitaminados,
nunca vai ter uma alimentação saudável - afirma Carolina.
Outro erro é substituir refeições por mamadeiras.
Quando a criança não quer comer, a mãe opta por dar uma mamadeira com mistura de geléia,
ovo e germe de trigo. É a madeira-bomba. Este hábito pode prejudicar a mastigação, a dentição e
a respiração.
As calorias para cada faixa etária:
Até 2 anos e meio: A quantidade de calorias necessárias nesta idade é obtida multiplicando-se o peso da criança por 117.
Até 10 anos: A criança precisa de 1.800kcal diárias.
Acima de 10 anos: Nesta faixa etária, a necessidade de calorias aumenta para 2.900kcal diárias.
Cardápio: Segundo a nutricionista Carolina Vasconcellos, as crianças devem fazer seis refeições diárias, incluindo café da manhã, colação, almoço, lanche, jantar e ceia.
Almoço: Uma refeição com salada de tomate, carne assada com molho madeira, vagem refogada, arroz, feijão e banana, de sobremesa, contém 390kcal.
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