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Nutrição

Alimentação Balanceada - Bom Exemplo no Prato

Atualizado em
05/03/2001

 
A apresentadora de televisão Fabiana Scaranzi forçava o filho Felipe, de 5 anos, a comer alguns alimentos dos quais ele não gostava. Hoje em dia, ela respeita as preferências do menino, que sem a pressão da mãe passou a comer melhor 

Quando o assunto é comida, a criança nunca segue o que os pais dizem. Quase sempre, ela acompanha o que eles fazem. "Pais que se alimentam com prazer e de forma saudável costumam despertar comportamento semelhante nos filhos", afirma a psicóloga Ceres Alves de Araújo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O que a professora Ceres quer dizer é o seguinte: quem enche a mesa de frituras e refrigerantes, dispensa as verduras e troca as refeições por um lanche rápido, não tem autoridade para exigir que os filhos sigam uma dieta equilibrada. De acordo com os profissionais da área, os pais estarão dando uma contribuição e tanto a seus filhos se aproveitarem o momento das refeições que fazem juntos para proporcionar-lhes uma boa educação alimentar. 

Na opinião deles, a influência dos pais sobre os hábitos alimentares das crianças é tão grande quanto sua interferência na formação do caráter delas. O assunto ganha relevância quando se sabe que as medidas a serem tomadas à mesa são simples e podem ajudar a prevenir alguns traumas importantes no futuro. Até cinco anos atrás, o Hospital das Clínicas de São Paulo considerava estatisticamente desprezíveis os casos de anorexia infantil. O número de crianças com o problema passou a ser significativo e começa a preocupar. Atualmente, os especialistas atendem a cada mês pelo menos uma criança de 7 a 12 anos com esse problema. Assim como os adultos anoréxicos, as crianças que desenvolvem essa doença de causa psicológica passam a recusar alimentos porque se vêem sempre gordas. "A influência dos hábitos alimentares das mães é uma das principais causas da anorexia infantil", diz o pediatra Ary Lopes Cardoso, chefe do grupo de nutrição e metabolismo do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. A maior parte das mães de crianças anoréxicas se preocupa demais com a aparência e vive em dieta ou, no extremo oposto, está quilos e quilos acima do peso e é alvo dos gracejos de amigos e do próprio marido. 

Apresentação dos alimentos - Com uma atitude correta à mesa, os pais terão mais argumentos para lidar com um comportamento comum à maioria das crianças: a mania de recusar alimentos considerados saudáveis e querer comer só biscoito e chocolate. É bom saber que as guloseimas sempre serão mais convidativas do que qualquer comida de sal e que a única atitude a seu alcance para tratar desse problema é tentar tornar o mais atraente possível o momento das refeições. A começar pela apresentação dos alimentos. "Em vez de encher o prato da criança de comida e misturar tudo, como se fosse uma papa, é melhor servir quantidades moderadas de cada um dos pratos preparados", afirma a nutricionista Márcia Madeira, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj. "Capriche na apresentação e escolha sempre alimentos variados, de cores vivas". 

Apetite - Uma preocupação comum entre os pais é achar que os filhos nunca estão comendo o suficiente. A apresentadora de televisão Fabiana Scaranzi chegou, algumas vezes, a forçar seu filho Felipe, de 5 anos, a comer. "Aprendi a respeitar as preferências de meu filho", diz Fabiana. "Controlo a alimentação durante a semana e relaxo no sábado e no domingo". O que muitos pais ignoram é que o apetite da criança varia conforme a idade e, acredite, o ganho de peso. Até 1 ano, o normal é a criança engordar de 6 a 7 quilos. No segundo ano, ela ganha em média mais 3 quilos. No terceiro, mais 2. Daí em diante, o ganho de peso gira em torno de 1,5 a 2 quilos por ano. O apetite será maior no primeiro ano, cairá um pouco no segundo, e assim por diante. Isso faz parte do desenvolvimento natural. O apetite voltará a toda quando a menina estiver com mais ou menos 10 anos e o menino com 13, 14 anos. 

Atualmente, como a maioria dos pais trabalha fora, ficou mais difícil manter um controle rigoroso da alimentação dos filhos. Primeira filha de pais jovens e inexperientes, a menina Isabela Medeiros, hoje com 13 anos, passava a maior parte do tempo na casa da avó. Ganhou alguns quilos extras e hábitos alimentares inadequados, dos quais só conseguiu livrar-se de um ano para cá. "É complicado para uma mãe negar comida a um filho, principalmente quando passa o dia inteiro longe de casa", diz Sílvia Medeiros, a mãe. Ela está coberta de razão. Não é fácil mesmo. Controlar a alimentação do filho muitas vezes é um sacrifício. Mas os hábitos inadequados terão de ser corrigidos cedo ou tarde. Do contrário, poderão tornar-se um problema mais sério depois. Portanto, é melhor começar logo. 


Fonte: Monica Gailewitch e Oscar Cabral - Copyright © 1999, Abril S.ª - Abril On-Line 
 

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