Algumas dores de cabeça crônicas primárias, como as migrâneas ou enxaquecas e as cefaléias tensionais crônicas devem ser tratadas basicamente com medicamentos não analgésicos, que atuam no cérebro do paciente, evitando que a dor se manifeste ou diminuindo a freqüência dos episódios. No entanto e a cada dia mais, desenvolvem-se as terapias acessórias não medicamentosas, que podem ser de grande valia para minimizar ou até evitar, em alguns casos, o uso de medicamentos. Entre estas, está a técnica do
biofeedback, já utilizado nos Estados Unidos e Europa desde a década de 80. Conhecida como uma técnica de condicionamento operante, é apresentada nas modalidades eletromiográfica e térmica, e tem se revelado extremamente útil para os pacientes com cefaléia crônica em vários estudos controlados publicados nos últimos anos. O biofeedback é realizado com o auxílio de monitores eletrônicos da função que se deseja controlar. Na clínica, o paciente aprende com a ajuda do
equipamento em sessões semanais, a exercer controle sobre o grau de contração muscular dos músculos do segmento cefálico (fronte, cabeça, pescoço e face) no caso da modalidade eletromiográfica e sobre a temperatura da palma da mão no caso da modalidade térmica. Embora a origem desta técnica tenha sido calcada em uma compreensão incorreta dos mecanismos de dor para os quais ela é utilizada, os efeitos benéficos são indiscutíveis principalmente em crianças e em pacientes altamente motivados e assíduos no treinamento. No caso das migrâneas ou enxaquecas, a utilização correta do biofeedback térmico no momento do início da dor pode abolir completamente o ataque sem a necessidade de medicação de resgate. Nas cefaléias tensionais crônicas, embora se saiba hoje não serem causadas por contração muscular, o biofeedback eletromiográfico melhora a dor levando ao relaxamento muscular. Então como realmente a técnica funciona ?
Estudos realizados na Itália, demonstram que após uma sessão de
biofeedback, decrescem no sangue os níveis de noradrenalina e cortisol além de comprovadamente reduzirem-se os graus de contração muscular, medidos em
microvolts, dos músculos monitorados. Todos estes resultados e o recente papel do exame de doppler transcraniano na triagem daqueles que podem obter os melhores benefícios com esta técnica, quando revelam assimetria e elevações nas velocidades do fluxo sanguíneo cerebral intercrítico, encorajam a prescrição e utilização desta técnica para os já tão sofridos pacientes de cefaléias crônicas. O biofeedback é útil e importante no tratamento das cefaléias crônicas!
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