Brasil, campeão mundial em consumo de medicamentos analgésicos! Não bastasse o fato de estarmos entre os maiores consumidores de anorexígenos (ou inibidores de apetite) do mundo, a Organização Mundial de Saúde nos coloca como o maior consumidor de analgésicos perdendo apenas para os Estados Unidos. No Brasil, de cada três medicamentos vendidos apenas um possui receita médica, segundo dados do Ministério da Saúde.
O consumo excessivo de analgésicos não provoca apenas as conseqüências
decorrentes de seus inúmeros efeitos colaterais, como insuficiência renal aguda, lesões na mucosa ou parede interna do estômago e esôfago, diminuição das plaquetas e glóbulos brancos do sangue e alterações na função do fígado. Podem provocar
conseqüências que variam desde uma reação alérgica até idiossincrasias incomuns que resultam em graves reações inesperadas, como por exemplo a súbita depressão da produção de glóbulos pela medula óssea (aplasia medular) que leva à morte em poucos dias.
Porém, o que mais chama a atenção dos médicos que lidam dia a dia com o sofrimento daqueles que padecem de dores crônicas, é exatamente o fato de o paciente com estas dores,
evoluírem gradualmente para uma piora, em função do próprio consumo do analgésicos que utiliza para a sua dor.
Alguns tipos de dor crônica como as enxaquecas, responsáveis pelo sofrimento de 20% de todas as mulheres, 6% dos homens e 4 a 8% das crianças, pioram ao longo do tempo, chegando até mesmo a dor diária, com o simples hábito de se ingerir analgésicos mais de duas vezes por semana. Sim, mais de duas vezes por semana já podem ser suficientes para transformar o calvário intermitente de alguns, em sofrimento diário. Os mecanismos envolvidos nesta transformação são complexos e parecem envolver receptores e neurotransmissores da intimidade do nosso cérebro. O importante no entanto, é deixar claro que isto pode e deve ser evitado.
|