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SFH - Notícias

Verba para investimentos em habitação e saneamento em 2001, ainda não definida
A indefinição sobre qual será a fonte de receita para o pagamento da correção de 68,9% do FGTS, referente ao expurgo dos planos Collor I e Verão, está atrasando a fixação do orçamento para habitação e saneamento deste ano. O Fundo é a principal fonte de recursos para a construção de moradias destinadas à população de baixa renda (quem ganha até 12 salários-mínimos), faixa em que se concentra quase 90% do déficit habitacional brasileiro.

A solução para o pagamento das correções dos planos econômicos nas contas do FGTS não pode condicionar a aprovação de investimentos do Fundo em saneamento e habitação popular no ano de 2001. A previsão dos investimentos para o orçamento deste ano seria de R$ 3,9 bilhões.

Esse valor é imprescindível para a continuidade dos programas habitacionais financiados pelo Fundo e manutenção dos empregos por ele gerados. Hoje, há no governo uma discussão que propõe a redução do orçamento de R$ 3,9 bilhões para R$ 2 bilhões, o que é inadmissível.

Atraso na fixação do orçamento poderá prejudicar financiamentos de habitação
Em dezembro do ano passado, o Conselho Curador do FGTS decidiu prorrogar o orçamento de 2000 até 31 de março deste ano, suplementando-o com recursos adicionais de R$ 600 milhões. Dessa soma, a CEF aplicou em programas de habitação R$ 200 milhões em janeiro e R$ 169 milhões em fevereiro, restando ainda R$ 230 milhões em caixa. Como a média de investimento do FGTS é na faixa de R$ 200 milhões mensais, se o orçamento não for definido este mês, os programas para baixa renda poderão ser paralisados já a partir de abril.

Representantes de entidades participantes do Conselho Curador do FGTS, acreditam que o Plano de Contratações e Metas Físicas do FGTS para 2001 será aprovado na primeira reunião extraordinária do conselho, marcada para o próximo dia 21. Segundo eles esta é a condição básica para a garantia de centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, por intermédio da manutenção da faixa atual de investimento no setor de habitação social.

Correção dos 68,9% não deverá prejudicar mutuários de baixa renda
Os mutuários de baixa renda não serão prejudicados pela correção de 68,9% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores. Ao contrário do que anunciara anteriormente, a Caixa Econômica (CEF) não pretende repassar a correção aos financiamentos imobiliários que têm o FGTS como fonte de recurso (os destinados a famílias com renda mensal de até 12 salários-mínimos), informam fontes da instituição. Isso significa que tanto trabalhadores quanto mutuários sairão ganhando no momento em que for depositada a correção dos planos Collor I e Verão.

Principalmente os que pensam em adquirir a casa própria, reduzir a prestação ou quitar o financiamento imobiliário. Mas, é bom lembrar, o reforço no saldo do Fundo poderá beneficiar àqueles que atenderem, a princípio, a duas exigências básicas: o imóvel deve estar avaliado em até R$ 300 mil e o financiamento não pode ultrapassar R$ 150 mil. Mas há uma série de outras regras para o uso do FGTS no mercado imobiliário, como a de não estar comprando um imóvel pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) em qualquer parte do território nacional. Se o contrato estiver quitado ou se a compra não foi realizada pelo sistema, uma das condições para o comprador usar o FGTS é não ter imóvel no município e na região limítrofe em que ele está situado.

Outra boa nova para os mutuários, que pode sair ainda neste primeiro semestre, é a equiparação dos contratos firmados com recursos próprios da Caixa Econômica àqueles financiados pelo SFH. Isso que dizer que o mutuário que tem financiamento com recursos da CEF poderá usar seu FGTS na amortização do saldo devedor (hoje, ele só pode utilizar o Fundo no ato da aquisição ou na quitação do financiamento). A equiparação está em pauta desde o ano passado, mas o debate sobre os 68,9% e a suspensão das reuniões do Conselho Curador do FGTS vem adiando a tomada de decisão.

Segundo o superintendente de FGTS da CEF, Joaquim Lima, 14,95% (R$ 2,7 bilhões) sacados do Fundo em 2.000 foram direcionados a operações ligadas à casa própria.

A habitação é a segunda maior motivação de saques do FGTS (a primeira é a demissão sem justa causa, com 70,46% dos recursos no ano passado). Segundo o superintendente de FGTS da CEF, Joaquim Lima, o percentual de uso do Fundo para a casa própria vem se mantendo estável nos últimos anos.

O principal momento de uso do FGTS é no ato da compra da casa própria. Muitos mutuários costumam usá-lo para reduzir a prestação. Já quando se trata da construção poucos lançam mão - acrescenta Lima, ressaltando que, quando o FGTS é usado no ato da aquisição, não se pode lançar mão do recurso para amortização durante o contrato, mas só para a quitação.

Em 2000, 205.599 pessoas usaram o FGTS no ato da compra da casa, o que corresponde a R$ 1,93 bilhão. Liquidação e amortização ficaram em segundo lugar, tendo interessado a 85.129 mutuários, que sacaram R$ 486.879 milhões.
 

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